ARNALDO JABOR

SE A DILMA VOLTAR

O MINISTRO JARARACA

A JARARACA

A SAUDÁVEL DESILUSÃO

AI DE TI, BRASIL!*

A HISTÓRIA DO MEU AVÔ

VALORES

DILMA VIU A UVA DO VOVÔ

A LISTA DOS PERIGOS

VOTE NA DILMA

A VOLTA DO COMPLEXO DE VIRA-LATA

A PÓS-MISÉRIA

TEXTOS FALSOS x VERADEIROS


SE A DILMA VOLTAR

O Brasil virou uma piada internacional. Outro dia, vi um programa na CNN sobre nós. Tive vontade de chorar

O Brasil virou uma piada internacional. Outro dia, vi um programa na CNN sobre nós. Tive vontade de chorar. Segundo a imprensa estrangeira, nós somos incompetentes até para sediar a Olimpíada, a economia está quebrada e o impeachment pode impedir os Jogos, pois somos desorganizados, caem pontes e pistas, os mosquitos estariam esperando os atletas, a Baía de Guanabara é um lixo só, bosta boiando, o crime campeia na cidade, onde conquistamos brilhantemente o recorde de estupros.

Até um programa humorístico famoso, o “Saturday Night Live”, fez uma sátira — Dilma fumando charuto e tomando caipirinha, numa galhofa insultuosa que sobrou para o país todo.

Mas Dilma sabe defender o país. Seus discursos revelam isso. Senão, vejamos, suas ideias:

“Antes de Lula, o Brasil estava afunhunhado. Mas o presidente Lula me deixou um legado, que é cuidar do povo brasileiro. Eu vou ser a mãe do povo brasileiro. O Brasil é um dos países mais sólidos do mundo, que, em meio à crise econômica mundial, das mais graves talvez desde 1929, é o país que tem a menor taxa de desemprego do mundo.

“Nós não quebramos, este é um país que tem… tem aquilo que vocês sabem o que é. Por isso, não vamos colocar uma meta. Vamos deixar a meta aberta, mas, quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta. Ajuste fiscal? Coisa rudimentar. Gasto publico é vida. Eu posso não ter experiência de governar como eles governaram; agora, governar gerando emprego, distribuição de renda, tirando 24 milhões da pobreza elevando a classe média, eu sei muito bem fazer.

“Entre nossos projetos, nós vamos dar prioridade a segregar a via de transporte. Segregar via de transportes significa o seguinte: não pode ninguém cruzar rua, ninguém pode cruzar a rua, não pode ter sinal de trânsito, é essa a ideia do metrô. Ele vai por baixo, ou ele vai pela superfície, que é o VLT.

“A mesma coisa nós vamos fazer com o Seguro Defeso, por exemplo. Nós somos a favor de ter Seguro Defeso para o pescador, sim. Agora, não é possível o pescador morar no semiárido nordestino e receber Seguro Defeso, por um motivo muito simples: lá não tem água, não tendo água não tem peixe. Também não seremos vencidos pela zika e dengue; quem transmite a doença não é o mosquito; é a mosquita.

“Antes, também os índios morriam por falta de assistência técnica. Hoje não; pois temos muitas riquezas.

“E aqui nós temos uma, como também os índios daqui e os indígenas americanos têm a deles. Nós temos a mandioca. E aqui nós estamos comungando a mandioca com o milho. E, certamente, nós teremos uma série de outros produtos que foram essenciais para o desenvolvimento de toda a civilização humana ao longo dos séculos. Então, aqui, hoje, eu estou saudando a mandioca. Acho uma das maiores conquistas do Brasil.

“Vocês, dos jogos indígenas, estão jogando com uma bola feita de folhas, e por isso eu acho que a importância da bola é justamente essa, o símbolo da capacidade que nos distingue como… Nós somos do gênero humano, da espécie sapiens. Então, para mim, esta bola é um símbolo da nossa evolução. Quando nós criamos uma bola dessas, nós nos transformamos em homo sapiens ou ‘mulheres sapiens’.

“Eu ouço muito os prefeitos — teve um que me disse assim: ‘eu sou o prefeito da região produtora da terra do bode’. Então, é para que o bode sobreviva que nós vamos ter de fazer também um Plano Safra que atenda os bodes, que são importantíssimos e fazem parte de toda tradição produtiva de muitas das regiões dos pequenos municípios aqui do estado.

“Aqui tem 37 municípios. Eu vou ler os nomes dos municípios... Eu ia ler os nomes, não vou mais. Por que não vou mais? Eu não estou achando os nomes. Logo, não posso lê-los.

“A única área que eu acho que vai exigir muita atenção nossa, e aí eu já aventei a hipótese de até criar um ministério, é na área de… Na área… Eu diria assim, como uma espécie de analogia com o que acontece na área agrícola.

“A Zona Franca de Manaus, ela está numa região. Ela é o centro dela porque ela é a capital da Amazônia. Aliás, a Zona Franca evita o desmatamento, que é altamente lucrativo — derrubar árvores plantadas pela natureza é altamente lucrativo.

“Eu quero adentrar agora pela questão da inflação, e dizer a vocês que a inflação foi uma conquista destes dez últimos anos do governo do presidente Lula e do meu governo. Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder. A autossuficiência do Brasil sempre foi insuficiente.

“Os homens não são virtuosos, ou seja, nós não podemos exigir da humanidade a virtude, porque ela não é virtuosa. Se os homens e as mulheres são falhos, as instituições, nós temos que construí-las da melhor maneira possível, transformando… aliás isso é de um outro europeu, Montesquieu. É de um outro europeu muito importante, junto com o Monet.

“Até agora, a energia hidrelétrica é a mais barata, em termos do que ela dura com a manutenção e também pelo fato de a água ser gratuita e de a gente poder estocar. O vento podia ser isso também, mas você não conseguiu ainda tecnologia para estocar vento. Então, se a contribuição dos outros países, vamos supor que seja desenvolver uma tecnologia que seja capaz de na eólica estocar, ter uma forma de você estocar, porque o vento ele é diferente em horas do dia. Então, vamos supor que vente mais à noite, como eu faria para estocar isso? O meio ambiente é sem dúvida nenhuma uma ameaça ao desenvolvimento sustentável.

“Aliás, hoje é o Dia das Crianças. Ontem eu disse que criança… o dia da criança é dia da mãe, do pai e das professoras, mas também é o dia dos animais. Sempre que você olha uma criança, há sempre uma figura oculta, que é um cachorro atrás, o que é algo muito importante.

“Por isso, afirmo que não há a menor hipótese do Brasil, este ano, não crescer. Eu estou otimista quanto ao Brasil. Eu sou algo que a humanidade desenvolveu quando se tornou humana.”

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É isso aí, gente, se Dilma voltar, ela tem em mente um projeto ambicioso de país. Estamos salvos.

Fonte: Jornal O Globo
Autor: Arnaldo Jabor
Enviado por: Cristina Meire


O MINISTRO JARARACA

'Espelho meu, a verdade é que eu comandei o esquema todo'

“Eu sou o único cara que pode incendiar esse país... Tá pensando o quê?” Eu estou aqui em frente ao espelho e posso falar tudo que quiser... ninguém me ouve. Olho-me no espelho e vejo que eu sou o povo. Sou um fenômeno de Fé. Quanto mais me denunciaram, mais eu cresci. Eu desmoralizei escândalos, vulgarizei alianças, subverti tudo, inclusive a subversão. Agora eu voltei como uma jararaca. Ahhh. A jararaca virou ministro... vou morder esse Sergio Moro na bunda. Meus inimigos odeiam o homem maravilhoso que eu sou. Por isso querem me prender. Inveja. Não há vivalma no país tão inebriante como eu. Eu me amo. Por inveja, o Supremo Tribunal Federal também está querendo me esmagar a cabeça. Estão todos acovardados sem me defender, porque são uns neoliberais de merda — covardes... E mais: e os babacas dos presidentes da Câmara e do Senado? Estão fodidos. Se derrubarem a Dilma, caem juntos.

Agora eu chamei um novo ministro para a Justiça, o Eugênio Aragão. Ele é meio maluco, frequenta o Santo Daime, bebe ayahuasca e já começou a ‘trabalhar’; já ameaçou o diretor da PF e vai nos ajudar a atacar a República de Curitiba... Ainda bem que surgiu um macho para me defender, porque a ministra Rosa Weber nem deu bola — mal-amada... Até a minha assessora Clara Ant está com raiva, porque eu falei que ela era uma baranga... E a ingratidão daquele Janot, que eu mandei a Dilma nomear?

Mas o povo foi para as ruas, a CUT, o MST organizaram tudo. Os coxinhas ficam com medo daquela onda vermelha... Eles têm de me respeitar... Como pode um delegado, um promotor do MPF me desrespeitar...? Eu não sou um cidadão comum, como eu disse uma vez para puxar o saco do Sarney. Eu sou especial. Fui falar com o Lewandowski, que tanto nos ajudou no mensalão, e também fui traído... Ele se recusou a agir contra a república; mas, que república? Ele traiu a mim...

Eu vou secar essa Lava-Jato. Eles têm de ter medo de mim... Esse Moro está subvertendo as regras políticas de 400 anos. Sempre fomos assim; é até uma tradição... E a Receita Federal que não me respeita? Tem de ficar bisbilhotando minhas contas? Já dei um esporro no Nelson Barbosa, que fica copiando aquele babaca do Levy, querendo fazer cortes no orçamento... Que cortes? A militância não quer. Tem de cortar porra nenhuma... Tem é que aumentar os gastos públicos ainda mais para eu recuperar minha imagem. E tem mais: vou meter a mão naquele tal de fundo soberano, nas reservas internacionais do Brasil, no peito e na raça, para distribuir presentinhos de consumo para os idiotas que me amam.

E a porra do sítio em Atibaia? A ideia foi boa, botar tudo no nome dos sócios do Fabinho... Mas veio essa PF, que o Aragão graças a Deus vai arrasar, e fodeu tudo...

E aquele tríplex que comprei, atualmente em nome da OAS. Êta gente boa! Eu achei pequeno como um daqueles barracos do ‘Minha casa minha vida’ e eles reformaram tudo. A direita diz que aquelas fotos no apartamento — eu, a Marisa e o Léo Pinheiro — provam que eu sou o dono. Eu direi a eles que não prova nada, porque estávamos decidindo cor de paredes, sancas, lustres... etc... É isso aí... bicho. A OAS tem agora um novo departamento: OAS Decorações. Haha...

Espelho meu, a verdade é que eu comandei o esquema todo. Eu ia deixar toda essa grande empreitada para me salvar, na mão de incompetentes como o Mercadante? Eu me salvo! Porra, tive de bancar o bobo, dizendo que não sabia de nada... só se eu fosse um débil mental, com tudo ali à vista no Planalto, na cara.

Eu sou foda... eu fiz tudo sozinho... claro que com a ajuda dos operários, aqueles operários que acreditavam em mim enquanto eu conciliava com as multinacionais... A verdade é que eu nunca me interessei pelo bem do povo. Essa visão de um operário pensando no país é uma imagem romântica de pequenos burgueses. Operário quer é subir na vida. Fui mestre nisso. Eu odiava o calor daqueles tetos de Eternit na fábrica, aquela cachaça morna na hora do almoço. Aquele torno que cortou meu mindinho foi minha primeira grande sorte (tem gente que até acha que eu mesmo cortei...). Virei líder sindical. Foi a sorte grande. Sem dedo, descobri a massa. Eu vi a facilidade de convencer o povão de fazer o que eu quisesse. Tudo tão simples; basta falar como eles, falar de futebol, fingir de vítima, injustiçado por ter origem humilde, dividir o mundo em ricos e pobres, mentir estatísticas numa boa, falar do futuro.

Meu grande erro, espelho meu, foi não ter pegado o terceiro mandato. Botei aquela guerrilheira incompetente no poder e ela também sabia de tudo. Imagina se aquela comuna não sabia da compra da refinaria de Pasadena pela qual pagamos 300 vezes mais que o preço original... foi lindo! Mais de 3% só para o PT. Quanto deu? 3% de 1 bilhão e 200 milhões, quanto é? Sei lá... E dane-se que os ‘cerverós’ da vida meteram a mão na cumbuca... Nosso plano foi de usar a corrupção para ficar no poder, como todos sabem... ‘Fora do poder tudo é ilusão’, dizia, acho que foi Lênin, que aqueles imbecis citam muito... Só a corrupção move o país.

Ai que saudades das mãos da rainha Elizabeth — eu beijei sua mão com um vago perfume de verbena. Ai que saudades dos tempos em que eu posava com outros presidentes, com o Obama me puxando o saco dizendo que eu era o “cara”. Mas eu voltarei... e mesmo com tantos problemas, tenho compensações: como é bom ver intelectuais metidos a besta ainda me olhando com fervor, me achando o símbolo do futuro, como se eu tivesse uma foice e um martelo na mão. Como são burros esses cultos, esses intelectuais da USP/PUC reunidos para me defender... Eu confesso que não entendo como esses artistas e cancioneiros populares ignoram que eu não sou a salvação de merda nenhuma. Como é que eles conseguem se enganar tanto? Só penso em mim. Mas, graças a Deus, eles têm fé... Por isso, eu conto com esses idiotas. Suas teorias e crenças ideológicas conferem um pouco de ‘profundidade’ a mim... Claro que estou pouco cagando para suas teses, mas eles são úteis.

Eles pensam que são a revolução. Mas, eu é que sou a revolução. Eles não queriam arrasar o capitalismo?

Pois, eu consegui”..

Fonte: Jornal O Globo
Autor: Arnaldo Jabor
Enviado por: João Carlos Amaral


A JARARACA

O atraso do país será perpetuado em nome da burrice 'progressista'.

Nunca vi o Brasil tão esculhambado como hoje. Não há outra palavra que nos descreva.
Já vi muito caos no país, desde o suicídio de Getúlio até o porre do Jânio Quadros largando o poder, vi a morte de Tancredo na hora de tomar posse, vi o país entregue ao Sarney, amante dos militares, vi o fracasso do plano Cruzado, vi o escândalo do governo Collor, como uma maquete suja de nossos erros tradicionais, já vi a inflação a 80% num só mês, vi coisas que sempre nos deram a sensação fatalista de que a vaca iria docemente para o brejo, de que o Brasil “sempre” seria um país do futuro. Eu já senti aquele vento mórbido do atraso, o miasma que nos acompanha desde a colônia, mas nunca vi o país assim.

Por que chegamos a tal ponto, até a explosão das manifestações no país inteiro ante- ontem? Tudo foi causado pelas ideias que formaram o imenso rabo de jararaca que nos esmaga hoje e que provavelmente nos levará a esmagar a cabeça da serpente.
As catástrofes econômicas e políticas que podem ainda destruir o país foram os mandamentos fiéis de um catecismo comunista boçal que essa gente adotou em 1963 e agora repetiu de 2002 em diante.

Nos meus 20 anos, era impossível não ser “de esquerda”. Nós queríamos ser como os homens heroicos que conquistaram Cuba, os longos cabelos de Camilo Cienfuegos, o charuto do Guevara, a “pachanga” dançada na chuva linda do dia em que entraram em Havana, exaustos, barbados, com fuzis na mão e embriagados de vitória.

A genialidade de Marx me fascinava. Um companheiro me disse uma vez: “Marx estudou Economia, História e Filosofia e, um dia, sentou na mesa e escreveu um programa racional para reorganizar a humanidade”. Era a invencível beleza da Razão, o poder das ideias “justas”, que me estimulava a largar qualquer profissão “burguesa”. Entrei para o PCB e nas primeiras reuniões de base, para meu desespero, me decepcionei.
O pensamento político e existencial deles era simplista, partindo sempre de uma ideia para depois chegar a ela de novo. Nas reuniões e assembleias, surgia sempre essa voz rombuda da burrice ideológica.

Em vez do charme infinito dos cubanos, comecei a ver o erro, plantado em duas raízes: ou o erro de uma patética estratégia inócua ou a Incompetência, a mais granítica, imaculada incompetência que vi na vida. O ponto de partida da incompetência é se sentir competente. O homem “bom” do partido não precisa estudar nem Marx nem nada, apenas derramar sua “missão” para o povo. Administrar é coisa de burguês, de capitalista. Para eles, o Estado é o pai de tudo. Logo, o dinheiro público é deles, a empresa pública é deles, roubar é “desapropriar” a grana da burguesia.

A incompetência do comuna típico é o despreparo sem dúvidas, é a burrice alçada a condição de certeza absoluta. É um ridículo silogismo: “Eu sou a favor do bem, logo não posso errar e, logo, não preciso estudar nem pesquisar”. A verdade é que odeiam o que têm de governar: um país capitalista. Como pode um comuna administrar o capitalismo? Todos os erros e burrices que eu via nas reuniões do PC eram de arrepiar os cabelos. Eu pensei horrorizado, quando vi o PT no poder: vão fornicar tudo. Fornicaram.

Assim, se organiza a burrice, a adoção só de ideias gerais, o desejo de fazer o mundo caber num ideário superado. Daí a desconfiança no mercado, nos empreendedores, contra todos os que trabalham no centro da sociedade civil, que comunas veem como uma anomalia atrapalhando o Estado. Vivíamos assediados por lugares comuns.
O imperialismo era a “contradição principal” de tudo. As discussões intermináveis, os diagnósticos mal lidos da Academia da URSS sempre despencavam, esfarinhavam-se diante do enigma eterno: “o que fazer?”. E ninguém sabia.

O que aconteceu com esse governo foi mais um equívoco na história das trapalhadas que a esquerda leninista comete sempre. Erraram com tanta obviedade, com tanto desprezo pelas evidências de perigo, que a única explicação é o desejo de serem flagrados. O fracasso é o grande orgulho dos revolucionários masoquistas. Pelo fracasso constrói-se uma espécie de “martírio enobrecedor”, já que socialismo hoje é impossível. A história de nossa esquerda é uma sucessão de derrotas. Derrota em 1935, derrota em 1964, derrota em 1968, derrota na luta armada, derrotas sem fim.

Até que surgiu, nos anos 1970, um homem novo: Lula, diante de um mar de metalúrgicos no ABC. Aí, começou a romaria em volta da súbita aparição do messias operário. Tive pavor de que a velha incompetência administrativa e política do “janguismo” se repetisse no Brasil, que fora saneado pelo governo de FHC. Não deu outra.
O retrocesso foi terrível porque estava tudo pronto para a modernização do país; mas o avião foi detido na hora da decolagem. Hoje, vemos mais uma “revolução” fracassada; não uma revolução com armas ou com o povo, mas uma revolução feita de malas pretas, de dinheiro subtraído de estatais, da desmoralização das instituições republicanas. Hoje, vemos o final dessa epopeia burra, vemos que a estratégia de Dirceu e seus comparsas era a tomada do poder pelo apodrecimento das instituições burguesas, uma espécie de “stalinismo de resultados”. Os quadrilheiros do governo não são de esquerda, não; são de direita, autoritários. O incrível é que os intelectuais catequizados ainda pensam: “o PT desmoralizado ainda é um mal menor que o inimigo principal — os tucanos neoliberais”. O PT ainda é o ópio dos intelectuais. Se continuar assim, o atraso do país será perpetuado em nome da burrice “progressista”. O diabo é que burrice no poder chama-se “fascismo”.

Há nove sites falsos em meu nome no ar. O verdadeiro agora é www.arnaldojabor.com.br. Nas mídias sociais é Jabor Real. Me critiquem no lugar certo.

Autor: Arnaldo Jabor
Enviado por: Marlene Soares


A SAUDÁVEL DESILUSÃO

Hoje, sabemos que somos parte da estupidez secular do país

Na Operação Lava-Jato houve um erro bobo — a condução coercitiva do Lula para depor. Ele deveria ter sido convocado antes e, se não fosse, aí sim a coerção. Foi um presente de Natal para o Lula. Devolveram-lhe seu melhor papel: ser a “vítima”. E Lula caiu matando: quando saiu da polícia, ele deu um show de bola em seu discurso para o povo que ele engana.

Como tem carisma esse cara! Falou com sua costumeira clareza para analfabetos, com propositais erros de português, e repetiu de cara limpa que nenhum governo melhorou tanto a vida do povo como o seu; foi irônico, falou dos pedalinhos e não das pedaladas e, com leve gratidão ou prudência, elogiou as empreiteiras que tanto o amam (ou amavam). Ele deve ter arregimentado muitos militantes novos. Falou que nunca houve roubo algum, que ele é a vivalma mais honesta do país, que as “elite” (todos os que não são do PT) não suportam ver os pobres melhorando de vida. Foi até cômico, dizendo que acertaram o rabo da jararaca mas erraram a cabeça e que a jararaca vai atacar de novo. E os desempregados por ele, os humilhados e ofendidos pela inflação, acreditam em tudo, coitados. Ele é irresistível para os ignorantes ou fanáticos. Lula tem o selo de garantia de “pureza” por ter sido um operário. No imaginário nacional, isso santifica. Em nossa utopia populista, Lula é o primeiro “excluído” que deu certo. Lula “subiu na vida” e é um exemplo de vitória para milhões de fracassados.

Desde o século XIX, a figura do operário é o símbolo de um futuro de justiça. Foice e martelo, espiga de milho, roda da indústria nas mãos, trabalhadores musculosos e proféticos, heroica alegoria da coragem e da luta — Lula fascinou a todos. Para os pobres, virou um padrinho Cicero, para os ricos, um luxo “curioso” da democracia, para os intelectuais, um símbolo sexual. Intelectuais esses que continuam falando dos “inegáveis avanços sociais” do seu governo. Que avanços? Esse desmoronamento do Brasil? O único avanço social foi para os invasores do Estado aparelhado e dos fundos de pensão.

Agora vai começar a fase guerreira dos militantes convocados, os black blocs do PT, para a luta, para a porrada, todos lutando estupidamente pela própria desgraça: o desmanche do país.

Lula falou com os costumeiros slogans populistas, mas nem piou sobre as acusações cabais sobre seu amor secreto com OAS e Odebrecht. Só idiotas podem acreditar que um sítio em Atibaia seja apenas de sócios do filho de Lula e que eles não sejam laranjas, só bobos acreditam que duas empresas bilionárias iam esquecer suas obras monumentais aqui e no exterior para comprar cozinha de luxo para d. Marisa, só insensatos acreditam que a Oi tenha pensado assim: “ihhh... temos de instalar uma antena de celular lá naquela floresta. Ihh... é perto do sítio do Lula, que coincidência...”; só burros creem que o chefe e a madame não sejam os donos do tríplex, onde tiraram até fotografia, só pascácios, pacóvios, capadócios acreditam no velho discurso de que tudo foi declarado à Receita e ao TSE.

“Nunca antes” um partido tomou o poder no Brasil e montou um esquema de “desapropriação” do Estado, para fundar um “outro Estado”, com cargos públicos aparelhados para mais de 50 mil militantes.

Lula nos legou uma senhora incompetente para dirigir o Brasil. Dilma perdeu o controle da zona geral que Lula sabia “desorganizar” com esmero e competência. Dilma não sabe nem desorganizar — fica paralisada por arrogância.

Estamos diante de um momento histórico gravíssimo, com o crescimento de dois tumores gêmeos de nossa doença: a aliança da direita do atraso com a esquerda do atraso. Como analisar com a Razão essa insânia oficial?

Nunca antes nossos vícios ficaram tão explícitos, nunca aprendemos tanto de cabeça para baixo. Já sabemos que a corrupção no país não é um “desvio” da norma, não é um pecado ou crime; é a norma mesmo, entranhada nos códigos e nas almas. Nosso único consolo: estamos aprendendo muito sobre a dura verdade nacional nesse rio sem foz onde as fezes se acumulam.

Como é educativo ver as falsas ostentações de pureza para encobrir a impudicícia, as mãos grandes nas cumbucas e os sombrios desejos das almas de rapina. Que emocionante esse sarapatel entre o público e o privado: os súbitos aumentos de patrimônio, cheques podres, dinheiro vivo, galinhas mortas na encruzilhada, piscinas em forma de vagina, contas expostas na Suíça, os gemidos, as negaças proclamando “honradez” e “patriotismo”. Na calada das noites de Brasília, nos goles de uísque do Piantella, eles sussurram euforicamente: “Grande Lula! Que bem que ele nos fez! Nunca fomos tão sólidos e cínicos nesse país , desde Cabral!”.

Que delícia, que doutorado sobre nós mesmos!

Hoje, sabemos que somos parte da estupidez secular do país. A verdade é simples: é apenas tudo que eles negam. Assumir nossa doença talvez seja o início da sabedoria. Nossa crise endêmica está em cima da mesa de dissecação, aberta ao meio como uma galinha.

A verdade do Brasil é coloquial, feita de pequenos ladrões, sujos arreglos políticos, emperramentos técnicos.

Ao menos, estamos mais alertas sobre a técnica do desgoverno corrupto que faz pontes para o nada, viadutos banguelas, estradas leprosas, hospitais cancerosos, esgotos à flor da pele, tudo proclamado como plano de aceleração do crescimento popular.

Que vai nos acontecer? O suspense é o pão de cada dia, entregue pelos “ferozes padeiros do Mal”. Mesmo que haja um desastre maior, qualquer mutação política é melhor que a continuidade no poder dessa gente.

O único consolo é sabermos que o Brasil evolui pelo que perde e não pelo que ganha. Sempre houve no país foi uma desmontagem contínua de ilusões históricas. Com a história em marcha à ré, estranhamente, andamos para a frente. Como? Pelo fim da esperança, pela saudável desilusão.

O Brasil se descobre por subtração, não por soma. Chegaremos a uma vida social mais civilizada quando as ilusões chegarem ao ponto zero.

Fonte: Jornal O Globo
Enviado por: Lauro


AI DE TI, BRASIL!*

Estás perdido e cego no meio da iniquidade dos partidos que te assolam e que contemplas com medo e tolerância

Ai de ti, Brasil, eu te mandei o sinal e não recebeste. Eu te avisei e me ignoraste, displicente e conivente com teus malfeitos e erros. Ai de ti, eu te analisei com fervor romântico durante os últimos 20 anos e riste de mim. Ai de ti, Brasil! Eu já vejo os sinais de tua perdição nos albores de uma tragédia anunciada para o presente do século XXI, que não terá mais futuro. Ai de ti, Brasil — já vejo também as sarças de fogo onde queimarás para sempre! Ai de ti, Brasil, que não fizeste reforma alguma e que deixaste os corruptos usar a democracia para destruí-la. Malditos os laranjas e as firmas sem porta.

Ai de ti, Miami, para onde fogem os ladrões que nadam em vossas piscinas em forma de vagina e corcoveiam em jet-skis, gargalhando de impunidade. Malditas as bermudas cor-de-rosa, barrigas arrogantes e carrões que valem o preço de uma escola. Maldita a cabeleira do Renan, os olhos cobiçosos de Cunha, malditos vós que ostentais cabelos acaju, gravatas de bolinhas e jaquetões cobertos de teflon, onde nada cola. Por que rezais em vossos templos, fariseus de Brasília? Acaso eu não conheço a multidão de vossos pecados?

Ai de vós, celebridades cafajestes, que viveis como se estivésseis na corte de Luís XIV, entre bolsas Chanel, gargantilhas de pérola, tapetes de zebra e elefantes de prata. Portais em vosso peito diamantes em que se coagularam as lágrimas de mil meninas miseráveis. Ai de vós, pois os miseráveis se desentocarão e seus trapos vão brilhar mais que vossos Rolex de ouro. Ai de ti, cascata de camarões!

Tu não viste o sinal, Brasil. Estás perdido e cego no meio da iniquidade dos partidos que te assolam e que contemplas com medo e tolerância. Cingiram tua fronte com uma coroa de mentiras e deste risadas ébrias e vãs no seio do Planalto. Ai de vós, intelectuais, porque tudo sabeis e nada denunciais, por medo ou vaidade. Ai de vós, acadêmicos que quereis manter a miséria “in vitro” para legitimar vossas teorias. Ai de vós, “bolivarianos” de galinheiro, que financiais países escrotos com juros baixos, mesmo sem grana para financiar reformas estruturais aqui dentro. Ai de ti, Brasil, porque os que se diziam a favor da moralidade desmancham hoje as tuas instituições, diante de nossos olhos impotentes. Ai de ti, que toleraste uma velha esquerda travestida de moderna. Malditos sejais, radicais de cervejaria, de enfermaria e de estrebaria — os bêbados, os loucos e os burros, que vos queixais do país e tomais vossos chopinhos com “boa consciência”. Ai de vós, “amantes do povo” — malditos os que usam esse falso “amor” para justificar suas apropriações indébitas e seus desfalques “revolucionários”.

Ai de vós, que dizeis que nada vistes e nada sabeis, com os crimes explodindo em vossas caras.

Ai de ti, que ignoraste meus sinais de perigo e só agora descobriste que há cartéis de empresas que predam o dinheiro público, com a conivência do próprio poder. Malditas sejam as empresas fantasmas em terrenos baldios, que fazem viadutos no ar, pontes para o nada, esgotos a céu aberto e rapinam os mínimos picuás dos miseráveis.

Malditos os fundos de pensão intocáveis e intocados, com bilhões perdidos na Bolsa, de propósito, para ocultar seus esbulhos e defraudações. Malditos também empresários das sombras. Malditos também os que acham que quanto pior, melhor.

A grande punição está a caminho. Ai de ti, Brasil, pois acreditaste no narcisismo deslumbrado de um demagogo que renegou tudo que falava antes, que destruiu a herança bendita que recebeu e que se esconde nas crises, para voltar um dia como “pai da pátria”. Maldito esse homem nefasto que te fez andar de marcha à ré.

Ai de ti Brasil, porque sempre te achaste à beira do abismo ou que tua vaca fora para o brejo. Esse pessimismo endêmico é uma armadilha em que caíste e que te paralisa, como disse alguém: és um país “com anestesia, mas sem cirurgia”.

Ai de vós, advogados do diabo que conseguis liminares em chicanas que liberam criminosos ricos e apodrecem pobres pretos na boca-do-boi de nossas prisões. Maldita seja a crapulosa legislação que vos protege há quatro séculos. Malditos compradiços juízes, repulsivos desembargadores, vendilhões de sentenças para proteger sórdidos interesses políticos. Malditos sejam os que levam dólares nas meias e nas cuecas e mais ainda aqueles que levam os dólares para as Bahamas.

Ai de vós! A ira de Deus não vai tardar...

Sei que não adianta vos amaldiçoar, pois nunca mudareis a não ser pela morte, guerra ou catástrofe social que pode estar mais perto do que pensais. Mas mesmo assim, vos amaldiçoo.

Ai de ti, Brasil!

Já vejo as torres brancas de Brasília apontando sobre o mar de lama que inundará o cerrado. Já vejo São Paulo invadida pelas periferias, que cobrarão pedágio sobre vossas Mercedes. Escondidos atrás de cercas elétricas ou fugindo para Paris, vereis então o que fizestes com o país, com vossa persistente falta de vergonha. Malditos sejais, ó mentirosos, vigaristas, intrujões, tartufos e embusteiros! Que a peste negra vos cubra de feridas, que vossas línguas mentirosas sequem e que água alguma vos dessedente. Ai de ti, Brasil, o dia final se aproxima.

Se vossos canalhas prevalecerem, virá a hidra de sete cabeças e dez chifres em cada cabeça e voltará o dragão da Inflação. E a prostituta do Atraso virá montada nele, segurando uma taça cheia de abominações. E ela estará bêbada com o sangue dos pobres e em sua testa estará escrito: “Mãe de todas as meretrizes e Mãe de todos os ladrões que paralisam nosso país.” Ai de ti, Brasil! Canta tua ultima canção na boquinha da garrafa.

(*) Homenagem a Rubem Braga

Fonte: Jornal O Globo
Enviado por: Roberto Nunes / Amilton Maciel Monteiro


A HISTÓRIA DO MEU AVÔ

Como um espectador privilegiado, ele presenciou eventos marcantes do país

Diante das perversões desta História torta que vivemos, desta enxurrada de absurdos, pensei: como me lembrarei de tudo isso daqui a uns anos (se eu viver)? Os fatos invadem nossa e criam uma História paralela, individual, feita de lembranças e impressões, para além das grandes mutações políticas. É uma história dentro do corpo, feita de vivências mínimas que nos moldam a personalidade.

Falo isso porque hoje me lembrei de meu avô. Como um espectador privilegiado, ele presenciou eventos marcantes do país, que narrava como uma história pessoal. Vovô quase não estudou, mas percebia o âmago de acontecimentos. Com suas conversas, aprendi coisas do século XX que moravam dentro de sua cabeça. Ele fazia monólogos assim:
“Eu não estudei quase nada, pois na porta do colégio, esperneava para não entrar e minha família ignorante permitia. Meu pai chamava-se Emilio Julio Hess (meu bisavô), era da Marinha e cismou de construir um submarino no fim do século XIX. Foi um sucesso e chegou a mergulhar no reservatório da Marinha. Depois, acabou morrendo de desgosto, porque seu invento foi esquecido. Acho que o Lima Barreto botou isso num livro. Ah, o Lima Barreto... bebia muito. Lá pelos anos 1920, eu levantei ele várias vezes — de porre, com a cara enfiada na sarjeta. Minha mãe morreu também e fui morar com minha avó numa casinha pobre, quase um barraco. Não sei por quê, ficamos paupérrimos.

“Não tínhamos nada, e minha avó acabou vendendo pastel na Praça XV.

“E eu, durante um tempo, vivi de ratos. Isso mesmo, meu neto. De ratos. Era a época da revolta da vacina, quando Oswaldo Cruz quis limpar o Rio da varíola e de febre amarela. Muita gente tinha o rosto picado de buracos. Mas por que vivi de ratos? Você conhece uma musiquinha assim: ‘Rato, rato, rato, por que motivo que roeste o meu baú?’ Conhece? Pois é... a prefeitura criou os caçadores de ratos, contra a peste bubônica... Eles nos davam uns trocados por cada rato morto. Vivi de rato por um tempo. Coitado do Oswaldo Cruz... Jogavam pedras na casa dele, a multidão era contra a vacina obrigatória... gente burra... tudo analfabeto...

“Dessa época, eu me lembro também do João Cândido, um crioulo muito macho que chefiou a Revolta da Chibata. Sabe o que foi? Os marinheiros levavam porrada o tempo todo. Era no chicote... Não tinham direito a nada e comiam quase lixo... Eles se revoltaram, e o Rio tinha medo de que atacassem a cidade com canhão, e foi tudo preso; fingiram que dariam anistia, mas o filho da mãe do Hermes da Fonseca mandou matar uma porrada de marujos e jogou muitos nas piores masmorras.

“E você já ouviu falar dos 18 do Forte? Em 1922, no Forte de Copacabana, uns tenentes se recusaram a se render depois de uma revolta também e saíram andando pela Avenida Atlântica debaixo das balas do Exército... O Eduardo Gomes era chefe e foi baleado, e eu me lembro também que um sujeito meio maluco, civil, se meteu na marcha e foi morto na hora... Eu estava em Copacabana... tinha uns 20 anos... não vi direito, mas lembro a sirene das ambulâncias...

“Depois, em 35, os comunistas fizeram um levante na Praia Vermelha... Foi tudo para o brejo e prenderam todo mundo... Eu estava na cidade quando eu vi o Prestes entrando num ‘tintureiro’, que era o nome dos carros da polícia... As pessoas vinham e cuspiam na cara dele... Eu vi — cuspiam nele, e ele sério, algemado, empurrado para dentro do tintureiro. Diziam que ele queria vender o Brasil para a Rússia. Cuspiam nele...
“Aí, começou a guerra, os alemães afundaram uns navios brasileiros, e como eu tinha sobrenome alemão, Hess, jogavam pedras na minha casa lá no Méier e pintaram uma cruz nazista no muro, que o jardineiro Antônio Bicho limpava, e eles pintavam de novo. Lembra dele? Um negão sem dentes e descalço que te levava no colo? Naquele tempo, preto não tinha dente nem sapato...

“Todo mundo fala do Getúlio, mas quando ele voltou em 1950 eu estava lá assistindo o discurso dele. Eu me lembro que ele disse: ‘O povo vai subir comigo as escadas do Catete!’. É... ele ganhou a eleição contra o Eduardo Gomes, o brigadeiro que, diziam, tinha perdido o saco na época dos 18 do Forte... é... bala no saco... E, como ele era solteiro, diziam que ele era broxa e sacaneavam ele cantando ‘o brigadeiro é casamenteiro’.
“Eu estava no Maracanã no dia do Brasil e Uruguai... A gente só precisava do empate e já estava um a zero nós, gol do Friaça... Até que veio a bola do Schiaffino para o Gigghia... Aí, baixou o maior silêncio que eu vi na minha vida.. Só se ouviam os sapatos... As pessoas descendo pelas rampas. Nunca tinha visto uma multidão chorando.

“E o suicídio do Getúlio? No enterro eu estava lá... Parecia um rio... Sempre eu vejo na TV uma mesma preta velha que chora em cima do caixão do homem... Eu estava perto... O Getúlio com algodão nas narinas... A Virgínia Lane era amante dele... e depois disse que ele tinha sido assassinado... Aquela que cantava ‘Sassaricando’, lembra? Isso você lembra: ‘a viúva, o brotinho e a madame!’ Aí veio Brasília, o Juscelino dançando o ‘Peixe vivo’...

“Um dia, os tanques encheram as ruas... Apareceu aquele sujeitinho pequeno que ia ser o presidente, o Castelo Branco... Mas eu não ia mesmo era com a cara daquele outro, de óculos e cara de burro, o Costa e Silva... Se você falasse mal de um general ia em cana e podia sumir... E eu me lembro que lembrava do Prestes levando cuspe na cara... Aí sua avó morreu; do que eu mais lembro e tenho saudades é que ela tinha cabelos azuis... Nunca entendi por que ela pintava o cabelo de azul... A partir daí, meu neto, eu não me lembro de muita coisa não... sei lá...ah! Só me lembro daqueles sujeitos andando na Lua. Será? Eu não acredito muito em americano, não”.

É isso. Meu avô, Arnaldo Hess, foi um belo retrato do Brasil dos anos 1940/50. Era um malandro carioca — em volta dele, gravitavam o botequim, a gravata com alfinete de pérola, o sapato bicolor, o cabelo com Gumex. Antes de morrer, me olhou, já meio gagá, e disse a frase mais linda:
“Acho chato morrer, seu Arnaldinho, porque eu nunca mais vou ver a Avenida Rio Branco”.

Fonte: Jornal O Globo
Enviado por: Laura Lellis


VALORES

Fui criado com princípios morais comuns: Quando eu era pequeno, mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos, eram autoridades dignas de respeito e consideração. Inimaginável responder de forma mal educada aos mais velhos, professores ou autoridades… Confiávamos nos adultos porque todos eram pais, mães ou familiares das crianças da nossa rua, do bairro, ou da cidade… Tínhamos medo apenas do escuro, dos sapos, dos filmes de terror. Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo aquilo que perdemos. Por tudo o que meus netos um dia enfrentarão. Pelo medo no olhar das crianças, dos jovens, dos velhos e dos adultos. Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos. Não levar vantagem em tudo significa ser idiota. Pagar dívidas em dia é ser tonto… Anistia para corruptos e sonegadores…

O que aconteceu conosco? Que valores são esses? Automóveis que valem mais que abraços, filhas querendo uma cirurgia como presente por passar de ano. Celulares nas mochilas de crianças. O que vais querer em troca de um abraço? A diversão vale mais que um diploma. Uma tela gigante vale mais que uma boa conversa. Mais vale uma maquiagem que um sorvete. Mais vale parecer do que ser. Quando foi que tudo desapareceu ou se tornou ridículo. Quero arrancar as grades da minha janela para poder tocar as flores! Quero me sentar na varanda e dormir com a porta aberta nas noites de verão! Quero a honestidade como motivo de orgulho. Quero a vergonha na cara e a solidariedade. Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olhar olho-no-olho. Quero a esperança, a alegria, a confiança! Quero calar a boca de quem diz: “temos que estar ao nível de…”, ao falar de uma pessoa.

Abaixo o “TER”, viva o “SER”. E viva o retorno da verdadeira vida, simples como a chuva, limpa como um céu de primavera, leve como a brisa da manhã! E definitivamente bela, como cada amanhecer. Quero ter de volta o meu mundo simples e comum. Onde existam amor, solidariedade e fraternidade como bases.
Vamos voltar a ser “gente”. Construir um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas. Utopia? Quem sabe?… Precisamos tentar… Quem sabe comecemos a caminhar transmitindo essa mensagem…
Nossos filhos merecem e nossos netos certamente nos agradecerão!


DILMA VIU A UVA DO VOVÔ

Imagine um automóvel quebrado; em vez de chamar um mecânico, chamam um marceneiro. É isso que estão fazendo. Esta é a causa do desastre atual de economia

É necessária uma cartilha bem clara para a população que se perde nesse sarapatel de mentiras e manipulações da candidata a presidenta. Por exemplo, o povo não entende frases como: “Nosso produto interno bruto é mínimo por falta de corte nos gastos fiscais”. Ninguém sabe o que é isso, principalmente no Nordeste-Norte. Ao contrário do que diz Dilma, os pobres que não puderam estudar são, sim, absolutamente ignorantes sobre os reais problemas brasileiros. Vamos ao diálogo da cartilha:

— Dilma viu a uva. Dilma viu o vovô. Dilma diz que viu o povo, mas não viu. Dilma viu Maduro, Dilma viu Chávez... Dilma viu o ovo. Mas não viu o novo.

— Por que ela gosta de governos como Cuba, Venezuela, Argentina?

— Porque para ela, no duro, a sociedade é composta de imbecis e de empresários imperialistas. Dilma pensa igual a eles. Ela e a “Cristina botox”.
— Por que ela pensa igual a eles?

— Porque é possuída por uma loucura antiga chamada “revolução socialista”, que fracassou no mundo todo. Imagine um automóvel quebrado; em vez de chamar um mecânico, chamam um marceneiro. É isso que estão fazendo. Esta é a causa do desastre atual de economia e da crise política.

Para eles, quanto pior, melhor. O problema é que eles é que estão no governo, e essas ideias são tiros no pé. Mais uma vez, repito o filósofo Baudrillard: “O comunismo hoje desintegrado tornou-se viral, capaz de contaminar o mundo inteiro, não através da ideologia nem do seu modelo de funcionamento, mas através do seu modelo de desfuncionamento e da desestruturação brutal”. Por isso, erram tudo, por incompetência. O governo ataca e quer mudar o Estado para possuí-lo.

— Por quê?

— Para o PT, as instituições não valem nada (burguesas) e têm de ser usadas para o projeto do PT.

— Qual é o projeto do PT?

— Fundar uma espécie de bolivarianismo tropical e obrigar o povo a obedecer o Estado dominado por eles.

— Que é bolivarianismo?

— É um tipo de governo na Venezuela que controla tudo, que controla até o papel higiênico e carimba o braço dos fregueses nos supermercados para que eles só comprem uma vez e não voltem, porque há muito pouca mercadoria.

— Por que os petistas não fazem reforma alguma?

— Porque não querem. A reforma da Previdência não existirá, pois, segundo o PT, “ela não é necessária”, pois “exageram muito sobre sua crise”, não havendo nenhum “rombo” no orçamento. Só de 52 bilhões. Por isso, a inflação vai continuar crescendo, pois eles não ligam para a “inflação neoliberal”.

— O que é inflação?

— Ahhh... é sinônimo de “carestia”.

— Por que o PT ataca tanto os adversários?

— Porque eles têm medo de perder as 100 mil “boquinhas” que conquistaram no Estado. Essa gente não larga o osso. Para isso, topam tudo: calúnias, números mentirosos. Eles também têm medo que suas roubalheiras sejam investigadas. Vejam o caso do “Petrolão.” Perto dele, o “mensalão” é um troco.

— Por quê?

— A Petrobras foi predada e destruída pela metade porque essa empresa sempre foi vista como propriedade de uma esquerda psicótica.

— Este roubo foi feito por vagabundos sem moral?

— Não. A Petrobras foi assaltada pelos próprios diretores para que o dinheiro fosse dividido entre o PT, PP e PMDB, para seus políticos apoiarem o governo Dilma e para novos malfeitos.

— Por que Dilma diz que não viu nada?

— Para negar que viu. Claro que viu. É necessário mentir para o “bem” do povo. Sim. Eles acham que são “mentiras revolucionárias.” Aliás, você sabe o que é Pasadena?

— Não...

— É o nome da refinaria da qual Dilma autorizou a compra.

— Por que Dilma assinou a compra da refinaria?

— Ela afirma que não sabia… Mas como é possível que, sendo a presidente do Conselho da Petrobras, tenha autorizado (apenas informada por duas folhas de papel) a compra de uma refinaria por um preço 300 vezes mais caro do que vale?

— Não sei.

— Você compraria uma casa que vale 100 mil reais pelo preço de 1 bilhão e duzentos mil?

— Só eu fosse louco ou mal-intencionado.

— Ela comprou. Comprou também pelo desprezo que os comunas têm por “administração”, coisa de empresários burgueses… Ou por pura incompetência…

— Por que a Dilma e PT não mudam de ideia, vendo tantos erros?

— Ó, ingênuo eleitor! Porque a Dilma e PT são sacramentados por Deus e não erram nunca. Quem erra somos nós. Quem discordar é inimigo. E querem se eternizar no poder.

— E por que nós do povo acreditamos nisso?

— Porque acham que Dilma “ama” o povo. Precisam ver como Dilma trata os garçons do Palácio...

— Por que, então, tantos intelectuais informados vão votar na Dilma mesmo assim?

— Porque acham que o PT ainda tem um grãozinho de romantismo social e também porque temem ser chamados de reacionários, neoliberais. O nome “esquerda” ainda é o ópio dos intelectuais.

— Por que não mudam de ideia?

— Porque essa ideologia é um tumor inoperável em suas cabeças. É espantoso que não vejam o óbvio: a desconstrução do país.

— Por que Dilma e Lula aparecem juntinhos do Collor?

— Porque o Collor pode trazer votos de Alagoas... o estado mais rico de pobres.

— Por que eles querem tanto os votos dos pobres?

— Porque, em geral, têm Bolsa Família. Mas o que não sabem é que com a volta da carestia...

— Inflação...

— Isso. Com a volta da inflação, a graninha do Bolsa Família vai mirrar, sumir, perder o valor. Isso eles não explicam.

— E por que eles dizem que a luta eleitoral é entre ricos e pobres? Pobres do Norte-Nordeste contra os riquinhos do Sudeste e Sul?

— Porque eles falam assim para esconder que a luta é entre pobres analfabetos x pessoas mais sensatas e informadas. Quem sabe disso, não vota nela.

— Mas, afinal, o que é o projeto do PT?

— O programa do PT é um plano de guerra. Eles odeiam a democracia (eles sempre usaram a democracia para negá-la depois). Eu me lembro do Partidão. Eles diziam: “Apoiaremos a democracia como tática. Depois a gente vê”. Dilma também pensa assim: a democracia é um meio, não um fim. Por isso, tem de haver uma cartilha para explicar o programa do PT: Dilma diz que viu o povo, mas não viu. Dilma viu o ovo. Mas não viu o novo.

Fonte: Jornal O Globo
Enviado por: Wanda Barcellos / Yna Beta


A LISTA DOS PERIGOS

Tenho vontade de registrar este texto em cartório, para depois mostrar aos eleitores da Dilma

O que acontecerá com o Brasil se a Dilma for eleita?

Aqui vai a lista:

A catástrofe anunciada vai chegar pelo desejo teimoso de governar um país capitalista com métodos “socialistas”. Os “meios” errados nos levarão a “fins” errados. Como não haverá outra “reeleição”, o PT no governo vai adotar medidas bolivarianas tropicais, na “linha justa” de Venezuela, Argentina e outros.

Dilma já diz que vai controlar a mídia, economicamente, como faz a Cristina na Argentina. Quando o programa do PT diz: “Combater o monopólio dos meios eletrônicos de informação, cultura e entretenimento”, leia-se, como um velho petista deixou escapar: “Eliminar o esterco da cultura internacional e a “irresponsabilidade “da mídia conservadora”. Poderão enfim pôr em prática a velha frase de Stalin: “As ideias são mais poderosas do que as armas. Nós não permitimos que nossos inimigos tenham armas, por que deveríamos permitir que tenham ideias?”

As agências reguladoras serão mais esvaziadas do que já foram para o governo PT ter mais controle sobre a vida do país. Também para “controlar”, serão criados os “conselhos” de consulta direta à população, disfarce de “sovietes” como na Rússia de Stalin.

O inútil Mercosul continuará dominado pela ideologia bolivariana e “cristiniana”. Continuaremos a evitar acordos bilaterais, a não ser com países irrelevantes (do “terceiro mundo”) como tarefa para o emasculado Itamaraty, hoje controlado pelo assessor internacional de Dilma, Marco Aurélio Garcia. Ou seja, continuaremos a ser um “anão diplomático” irrelevante, como muito acertadamente nos apelidou o Ministério do Exterior de Israel.

Continuaremos a “defender” o Estado Islâmico e outros terroristas do “terceiro mundo”, porque afinal eles são contra os Estados Unidos, “inimigo principal” dos bolcheviques que amavam o Bush e tratam o grande Obama como um “neguinho pernóstico”.

Os governos estaduais de oposição serão boicotados sistematicamente, receberão poucas verbas, como aconteceu em São Paulo.

Junto ao “patrimonialismo de Estado”, os velhos caciques do “patrimonialismo privado” ficarão babando de felicidade, como Sarney, Renan “et caterva” voltarão de mãos dadas com Dilma e sua turminha de brizolistas e bolcheviques.

Os gastos públicos jamais serão cortados, e aumentarão muito, como já formulou a presidenta.

O Banco Central vai virar um tamborete usado pela Dilma, como ela também já declarou: “Como deixar independente o BC?”

A inflação vai continuar crescendo, pois eles não ligam para a “inflação neoliberal”.

Quanto aos crimes de corrupção e até a morte de Celso Daniel serão ignorados, pois, como afirma o PT, são “meias verdades e mentiras, sobre supostos crimes sem comprovação...”.

Em vez de necessárias privatizações ou “concessões”, a tendência é de reestatização do que puderem. A sociedade e os empresários que constroem o país continuarão a ser olhados como suspeitos.

Manipularão as contas públicas com o descaro de “revolucionários” — em 2015 as contas vão explodir. Mas ela vai nomear outro “pau-mandado” como o Mantega. Aguardem.

Nenhuma reforma será feita no Estado infestado de petistas, que criarão normas e macetes para continuar nas boquinhas para sempre.

A reforma da Previdência não existirá pois, segundo o PT, “ela não é necessária”, pois “exageram muito sobre sua crise”, não havendo nenhum “rombo” no orçamento. Só de R$ 52 bilhões.

A Lei de Responsabilidade Fiscal será desmoralizada por medidas atenuantes — prefeitos e governadores têm direito de gastar mais do que arrecadam, porque a corrupção não pode ficar à mercê de regras da época “neoliberal”. Da reforma política e tributária ninguém cogita.

Nossa maior doença — o Estado canceroso — será ignorada e terá uma recaída talvez fatal; mas, se voltar a inflação, tudo bem, pois, segundo eles, isso não é um grande problema na política de “desenvolvimento”.

Certas leis “chatas” serão ignoradas, como a lei que proíbe reforma agrária em terras invadidas ilegalmente, que já foi esquecida de propósito.

Aliás, a evidente tolerância com os ataques do MST (o Stédile ja declarou que se Dilma não vencer, “vamos fazer uma guerra”) mostra que, além de financiá-los, este governo quer mantê-los unidos e fiéis, como uma espécie de “guarda pretoriana”, como a guarda revolucionária dos “aiatolás “ do Irã.

A arrogância e cobiça do PT aumentarão. As trinta mil boquinhas de “militantes” dentro do Estado vão crescer, pois consideram a vitória uma “tomada de poder.” Se Dilma for eleita, teremos um governo de vingança contra a oposição, que ousou contestá-la. Haverá o triunfo “existencial” dos comunas livres para agir e, como eles não sabem fazer nada, tudo farão para avacalhar o sistema capitalista no país, em nome de uma revolução imaginária. As bestas ficarão inteligentes, os incompetentes ficarão mais autoconfiantes na fabricação de desastres. Os corruptos da Petrobras, do próprio TCU, das inúmeras ONGs falsas vão comemorar. Ninguém será punido — Joaquim Barbosa foi uma nuvem passageira.

Nesta eleição, não se trata apenas de substituir um nome por outro. Não é Fla x Flu. Não. O grave é que tramam uma mutação dentro do Estado democrático. Para isso, topam tudo: calúnias, números mentirosos, alianças com a direita mais maléfica.

E, claro, eles têm seus exércitos de eleitores: os homens e mulheres pobres do país que não puderam estudar, que não leem jornais, que não sabem nada. Parafraseando alguém (Stalin ou Hitler?) — “que sorte para os ditadores (ou populistas) que os homens não pensem”.

Toda sua propaganda até agora acomodou-se à compreensão dos menos inteligentes: “Quanto maior a mentira, maior é a chance de ela ser acreditada” — esta é do velho nazista.

O programa do PT é um plano de guerra. Essa gente não larga o osso. Eles odeiam a democracia e se consideram os “sujeitos”, os agentes heroicos da História. Nós somos, como eles falam, a “massa atrasada”.

É isso aí. Tenho vontade de registrar este texto em cartório, para depois mostrar aos eleitores da Dilma. Se ela for eleita.

Fonte: Jornal O Globo
Enviado por: Valdir Quirino / Mac Maciel


VOTE NA DILMA

A VERDADE ESTÁ NA  CARA, MAS NÃO SE IMPÕE

Em 27 de Fevereiro de 2013
O que foi que nos aconteceu?
No Brasil, estamos diante de acontecimentos inexplicáveis, ou melhor, "explicáveis" demais. Toda a verdade já foi descoberta, todos os crimes provados, todas as mentiras percebidas. Tudo já aconteceu e nada acontece. Os culpados estão catalogados, fichados, e nada rola.
A verdade está na cara, mas a verdade não se impõe. Isto é uma situação inédita na História brasileira !!!!!!!

Claro que a mentira sempre foi a base do sistema político, infiltrada no labirinto das oligarquias, mas nunca a verdade foi tão límpida à nossa frente e, no entanto, tão inútil, impotente, desfigurada !!!!!!!!
Os fatos reais: com a eleição de Lula, uma quadrilha se enfiou no governo e desviou bilhões de dinheiro público para tomar o Estado e ficar no poder 20 anos!!!! Os culpados são todos conhecidos, tudo está decifrado, os cheques assinados, as contas no estrangeiro, os tapes, as provas irrefutáveis, mas o governo psicopata de Lula nega e ignora tudo!!!!

Questionado ou flagrado, o psicopata não se responsabiliza por suas ações. Sempre se acha inocente ou vítima do mundo, do qual tem de se vingar. O outro não existe para ele e não sente nem remorso nem vergonha do que faz !!!!!
Mente compulsivamente, acreditando na própria mentira, para conseguir poder. Este governo é psicopata!!! Seus membros riem da verdade, viram-lhe as costas, passam-lhe a mão nas nádegas. A verdade se encolhe, humilhada, num canto. E o pior é que o Lula, amparado em sua imagem de ‘povo’, consegue transformar a Razão em vilã, as provas contra ele em acusações ‘falsas’, sua condição de cúmplice e Comandante em ‘vítima’!!!!!

E a população ignorante engole tudo.. Como é possível isso?
Simples: o Judiciário paralítico entoca todos os crimes na Fortaleza da lentidão e da impunidade. Só daqui a dois anos serão julgados os indiciados – nos comunica o STF.
Os delitos são esquecidos, empacotados, prescrevem. A Lei protege os crimes e regulamenta a própria desmoralização.
Jornalistas e formadores de opinião sentem-se inúteis, pois a indignação ficou supérflua. O que dizemos não se escreve, o que escrevemos não se finca, tudo quebra diante do poder da mentira desse governo.

Sei que este é um artigo óbvio, repetitivo, inútil, mas tem de ser escrito… Está havendo uma desmoralização do pensamento.
Deprimo-me: Denunciar para quê, se indignar com quê? Fazer o quê? A existência dessa estirpe de mentirosos está dissolvendo a nossa língua. Este neocinismo está a desmoralizar as palavras, os raciocínios. A língua portuguesa, os textos nos jornais, nos blogs, na TV, rádio, tudo fica ridículo diante da ditadura do lulo-petismo.

A cada cassado perdoado, a cada negação do óbvio, a cada testemunha, muda, aumenta a sensação de que as idéias não correspondem mais aos fatos!!!!!
Pior: que os fatos não são nada – só valem as versões, as manipulações.
No último ano, tivemos um único momento de verdade, louca, operística, grotesca, mas maravilhosa, quando o Roberto Jefferson abriu a cortina do país e deixou-nos ver os intestinos de nossa política.

Depois surgiram dois grandes documentos históricos: o relatório da CPI dos Correios e o parecer do procurador-geral da república. São verdades cristalinas, com sol a Pino.
E, no entanto, chegam a ter um sabor quase de ‘gafe’.
Lulo-Petistas clamam: “Como é que a Procuradoria Geral, nomeada pelo Lula, tem o desplante de ser tão clara! Como que o Osmar Serraglio pode ser tão explícito, e como o Delcídio Amaral não mentiu em nome do PT ? Como ousaram ser honestos?”
Sempre que a verdade eclode, reagem.

Quando um juiz condena rápido, é chamado de exibicionista’. Quando apareceu aquela grana toda no Maranhão (lembram, filhinhos?), a família Sarney reagiu ofendida com a falta de ‘finesse’ do governo de FH, que não teve a delicadeza de avisar que a polícia estava chegando….
Mas agora é diferente. As palavras estão sendo esvaziadas de sentido. Assim como o stalinismo apagava fotos, reescrevia textos para contestar seus crimes, o governo do Lula está criando uma língua nova, uma neo-língua empobrecedora da ciência política, uma língua esquemática, dualista, maniqueísta, nos preparando para o futuro político simplista que está se consolidando no horizonte.

Toda a complexidade rica do país será transformada em uma massa de palavras de ordem, de preconceitos ideológicos movidos a dualismos e oposições, como tendem a fazer o Populismo e o simplismo.
Lula será eleito por uma oposição mecânica entre ricos e pobres, dividindo o país em ‘a favor’ do povo e ‘contra’, recauchutando significados que não dão mais conta da circularidade do mundo atual. Teremos o ‘sim’ e o ‘não’, teremos a depressão da razão de um lado e a psicopatia política de outro, teremos a volta da oposição Mundo x Brasil, nacional x internacional e um voluntarismo que legitima o governo de um Lula 2 e um Garotinho depois.
Alguns otimistas dizem: ‘Não… este maremoto de mentiras nos dará uma fome de Verdades’!

Texto de 27 de fevereiro
Enviado por Wanda Pinho em 9/08/2014



A VOLTA DO COMPLEXO DE VIRA-LATA

Amigos, vocês passaram o tempo todo da Copa falando de mim: Nelson Rodrigues pra cá, pra lá...

Antes eu era o pornográfico, o reacionário, agora virei técnico de futebol. E me citavam. Todos diziam que tinha acabado o nosso “complexo de vira-lata”. Mas esse complexo que eu descobri pode existir também ao avesso (Freud nem me olha aqui no céu, com uma inveja danada). Mas ele não é apenas o pavor diante dos estrangeiros, a cabeça baixa, o “sim, senhor”, a alma de contínuo. Não. Esse complexo aparece na submissão à Fifa, lambendo-lhe os pés como cachorrinhos gratos, nas arenas grã-finas. O vira- lata estava ali. Podemos botar uma fitinha cor-de-rosa no vira-lata que ele continua sendo um legítimo vira- lata, cheirando postes e abanando o rabo.

Para nossos jogadores ricos e famosos, o Brasil é a vaga lembrança da infância pobre, humilhada. O país virou um passado para os plásticos negões falando alemão, todos de brinco e com louras vertiginosas. Não são maus meninos, ingratos, não, mas neles está ausente a fome nacional “por um prato de comida,” a ânsia dos vira-latas.

Já disse e repito que, antes, nas Copas do Mundo, éramos a pátria de chuteiras. Hoje, somos chuteiras sem pátria. Fomos infeccionados pelo futebol europeu, mas pela metade; ficamos na dúvida se somos Pelé ou Dunga.

Nesta Copa, só o povo estava de chuteiras, para esquecer os escândalos que lhe mergulharam em cava depressão.

Foi diferente de 1950. Lá, sonhávamos com um futuro para o país. Agora, tentamos limpar nosso presente. Somos uma nação de humilhados e ofendidos, pois o país é dominado por ladrões de galinha e batedores de carteira. E a população queria que o escrete fizesse tudo o que o governo não fez. Mas era peso demais. O brasileiro não estava preparado para ser o “maior do mundo” em coisa nenhuma. Ser o maior do mundo, mesmo em cuspe a distância, implica uma grave e sufocante responsabilidade. Além disso, era um time de várzea.

Isso era o óbvio; mas foi ignorado. E quando o óbvio é desprezado, ficamos expostos ao mistério do destino. E um dos fatos óbvios foi o endeusamento do técnico. Felipão era mais importante que o time. E ninguém é mais obstinado do que o sujeito que é portador de um erro colossal. O ser humano acredita mais em seus equívocos do que em suas verdades. O técnico é sempre contra a opinião geral. Em vez de orientar as vocações dos rapazes, Felipão achou que todos tinham de caber em sua estratégia. O técnico devia ser um reles treinador, quase um roupeiro, humilde diante dos craques. Mas o Felipão os tratava como garotinhos inseguros ou então parecia um “Mussolini” de capacete e penacho. A própria figura do Felipão era deplorável – nervoso e malvestido, quase de pijama, era o retrato físico de nosso despreparo. O único jogador do “passado glorioso” foi Neymar – Didi, Zizinho, Ademir guiavam seus dribles.

Quando o alemão fez o primeiro gol, sentimo-nos diante da verdade de que os próprios jogadores suspeitavam: éramos 11 solitários, nosso time era uma ilusão que parecia realidade por causa de Neymar. Nossa meta não era o gol, era Neymar. Esse jovem gênio nos cegou, e com ele acreditávamos que o Brasil voltaria a seus melhores dias. Mas o Brasil nunca está em seus melhores dias. Não esperávamos uma vitória, mas uma salvação. Só a taça aplacaria nossa impotência diante da zona brasileira – era nossa única chance de felicidade.

E aí começaram as interpretações dos idiotas da objetividade: por que perdemos? Tentam explicar a derrota como uma bula de remédio. Como se a derrota tivesse explicação; toda derrota é anterior a si mesma, ela começa 40 anos antes do nada e vem desabrochar em nossos dias. Mas só podemos entender o que “não” houve. Atrás da derrota, estavam todos nossos vícios seculares: salvacionismo, milagres brasileiros, fé no improviso, vitórias abstratas e derrotas políticas.

Além disso, há entre nós e a loucura um limite que é quase nada. Enlouquecemos diante da

Alemanha.

Nessa hora do jogo, a loucura explodiu feito uma libertação. Isso, nossa loucura não foi de Napoleões ou Neros, nossa loucura apareceu como um fundo desejo de parar, de ter sossego. Nos jogadores surgiu a ânsia do fracasso, como uma exaustão diante de tanta incapacidade.

Ao contrário do que disse o Parreira em 2006, de que “não estávamos preparados para perder”, dessa vez estávamos todos preparados para a calamidade e secretamente sabíamos disso. Depois daqueles seis minutos em que houve quatro gols, o absurdo adquiriu uma doce, persuasiva, admirável naturalidade. Depois de 5 a 0, queríamos perder mais, queríamos espojarmo-nos na derrota absoluta, sentíamos a doce nostalgia do aniquilamento. E aí quem surgiu no estádio? O imponderável Sobrenatural de Almeida passou a dirigir o time como um técnico espectral, um fantasma trapaceiro. Dava até para ver que os alemães tiveram pena de nós, os anfitriões desmoralizados.

Até Felipão fez autocrítica. Mas a autocrítica tem a imodéstia de um necrológio redigido pelo próprio defunto.

É isso. Sempre que vai estourar uma catástrofe, o ser humano cai num otimismo obtuso, pétreo, córneo. E perde.

Agora, estamos com uma angústia épica, como uma víbora crispada dentro de nós.

E depois de perdermos para a Holanda por 3 a 0, vimos que não houve derrota – como haver derrota se não tínhamos time? O povo viu no fracasso a confirmação de sua sina de vira-lata e desceu as rampas arrastando os chinelos, como em 1950.

Agora, eis o nosso dilema: ou o Brasil ou o caos. O diabo é que temos a vocação do caos. O Brasil precisa ser feito, e nós não o fazemos. O mal da cultura brasileira é que nenhum intelectual sabe bater um escanteio.

Mas ninguém cresce sem sentir o gosto amargo da vergonha. Sempre fomos condenados à esperança, ansiando por uma redenção pelo futebol, mas pode ser que agora a gente vá assumir a própria miséria, a própria lepra, e isso será nossa salvação.

É isso aí, amigos, é só.

Fonte: "O Globo"


A PÓS-MISÉRIA

As manifestações de junho, milagrosas e belas, ficarão sem respostas, porque não há o que responder e como responder
Ontem vi na CNN uma reportagem sobre o Brasil, a propósito do crack na periferia do Rio. Nunca vi barra tão pesada da miséria brasileira, com corpos semimortos, sujeira e desespero mudo. A repórter americana estava à beira de um colapso nervoso com a degradação do país, alertando estrangeiros civilizados sobre o perigo de vir à Copa. Já andei por fundos sertões e não sou criança, mas parecia que estávamos na Nigéria, na área do Boko Haram, um daqueles lugares mortos que não fazem parte nem do mundo pobre. Ficou-me claro que aqui já vivemos uma “pós-miséria” incurável, africanizada. A miséria se aprofundou. Chocado, sentei-me para escrever este artigo. Comecei a fazer reflexões “sensatas” sobre o que fazer, na base do “precisamos” disso, “precisamos” fazer aquilo, precisamos tomar providências etc. “Precisamos”. De repente, me bateu: para quem estou falando? A quem me queixo? A quem recorrer? Minhas perguntas caem no nada. Como fazer as instituições refletirem e agirem, se a pós-miséria atinge não somente os miseráveis, mas degrada as maneiras de combatê-la? A miséria das ruas e dos desvalidos, do crack, do abandono, deriva-se da impotência das instituições e vice-versa.

São duas misérias interagindo, acopladas: a ativa (política) e a passiva (os desgraçados). Criadores e criaturas.

As manifestações de junho, milagrosas e belas, ficarão sem respostas, porque não há o que responder e como responder. Quem? Uma presidenta (sic) enjaulada no “presidencialismo de cooptação”, que depende dos congressistas picaretas? Quem? O Judiciário aleijado, com leis de 100 anos atrás?

Por isso, escrevo este artigo pessimista, sim; quem achar deprimente, pare de ler. Mas tenho de continuar; não sei bem para quê nem para quem. Mas escrevo...

A brutalidade está atingindo o país de forma inédita. O subsolo das manifestações de classe media é a violência primitiva dos “lumpens” (miseráveis inúteis) que está aparecendo. No mesmo registro das donas de casa que protestam contra a carestia ou de jovens contra a Copa, matam-se pessoas por nada, linchamentos, privadas voadoras, cadáveres cortados a peixeiras e costurados ao sol com pinos de guarda-chuva, mortos nas Pedrinhas dos Sarney, pais que matam filhos, crianças se degolando etc.

Não adianta ficar repisando os óbvios erros desse governo, que deixarão sobras terríveis para quem vier — seja Dilma, Lula (será que ele quer?) ou a oposição. A democracia subestimada pelo PT levou a um voluntarismo medíocre que “faria” a remodelação da realidade de modo a fazê-la caber em premissas ideológicas. Seus erros são tão sólidos que chego a pensar que visam apodrecer as instituições “burguesas” por dentro, numa espécie de “gramscianismo pela corrupção”. Isso já está diagnosticado, mas os renitentes intelectuais orgânicos dirão: “O PT desmoralizado ainda é um mal menor que o inimigo principal: os neoliberais”. E assim vamos.

Estamos entrando numa pós-violência e numa pós-miséria — eis a minha tese. Há uma africanização de nossa desgraça, a ponto de ela não ser mais reversível. E não era assim. O Brasil sempre contou com a possibilidade de melhorias. Sempre vivemos o suspense e a esperança de que algo ia mudar para melhor.

Isso parece ter acabado. É possível que tenhamos caído de um “terceiro mundo” para um “quarto mundo”, como já nos consideram analistas do exterior. O “quarto mundo” é a paralisação das possibilidades. Quem vai salvar as 300 meninas sequestradas na Nigéria, quem vai resolver o Sudão, a Líbia? E aqui? Quem vai resolver o drama brasileiro que está entrando no mesmo clube? As informações criam apenas perplexidade e medo, mas como agir? Não há uma ideologia que dê conta do recado. E, na falta de soluções, recorrem a velhos métodos políticos já testados que falharam. No caso brasileiro, se Dilma for reeleita, o falhado “bolivarianismo” tende a aumentar.

No Brasil, vivemos com a insolubilidade e, diante dela, só temos duas hipóteses: ou a convivência com o absurdo e o desespero, tarefa dificílima até para filósofos ou, então, surgirá um autoritarismo populista carismático, quase “religioso”, para manter a vida social funcionando, com os privilegiados trancados em casa ou em Miami, com a patuleia bem controlada. Resolver os problemas do país de desigualdade, ignorância, fome, é tão difícil como democratizar o Boko Haram. Não temos meios, como disse Baudrillard — “temos apenas os frágeis instrumentos dos direitos humanos”.

É uma espécie de colheita; com o crescimento da população, das informações, dos desejos, todos os problemas plantados há séculos estão irrompendo ao mesmo tempo. Já tivemos uma miséria dócil, controlada, e nada se fez porque ela não ameaçava. Já usufruímos de vários séculos da estupidez popular para manter nossos privilégios. Já elegemos “salvadores da pátria” que sempre nos ferraram desde o golpe militar da República até Getulio, Jânio, 64, Collor, Lula. E deu em nada. Como infiltrar um espírito mais “anglo-saxônico” nesse corpo ibérico, inerte, “anestesiado e sem cirurgia”? Hoje, é tarde demais.

O que mais me grila é que não parece se tratar de um período histórico passageiro que, uma vez terminado, o país volte ao “normal”. Não. É um salto para outra anormalidade sem fim; é uma mudança de estado. Não é uma doença que passa; é uma anomalia incurável.

E aí? Perguntarão os leitores a esse pessimista bodeado? Bem... É possível que Lula volte. Será? Ele deve estar analisando as possibilidades. Como só pensa em si mesmo, se ele achar que é muita aporrinhação, desiste. Se não, ele volta. E aí, sejam bem-vindos ao “quarto mundo”!

Minha filha Juliana Jabor, antropóloga e psicanalista, escreveu outro dia: “Lula poderá se apropriar da situação, com seu carisma inabalável, para ocupar a ‘função paterna’ que está vaga desde o fim do seu governo. Eleito de novo, a multidão se transformará, aí sim, em ‘massa’. Os ‘movimentos’ perderão o seu caráter de produção de subjetividades e se transformarão numa massa guiada por um líder populista”. Desculpem a depressão e boa sorte…

Fonte: "O Globo"


TEXTOS FALSOS x VERDADEIROS

Arnaldo Jabor reclama de textos falsos atribuídos a ele!
(Fonte: Youtube
)

“Eu escrevi nos jornais uma coluna em que inventei uma entrevista imaginária com um traficante preso do PCC. Na entrevista o personagem de ficção critica o Brasil de hoje e denuncia os erros das polícias e da sociedade. É um texto do qual eu me orgulho. É legal o texto. E todo mundo gosta, mas não acreditam que fui eu que fiz. Acham que é real a lucidez do bandido.” 
Arnaldo Jabor, Rádio CBN, 07/07/2006

____________________________

A “entrevista” real

E se você ficou interessado em ler uma entrevista real do traficante, delicie-se com depoimento que ele deu aos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Armas, em junho de 2006. O depoimento do criminoso tem 205 páginas e, sim, vale a pena ser lido!

Conclusão

A tal entrevista que o traficante teria dado ao Jornal O Globo é falsa! Trata-se de um texto criado pelo jornalista Arnaldo Jabor, em 2006.
Fonte: E-farsas
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