Esta página foi aberta por sugestão do Velho Amigo José Carlos de Melo com a finalidade de trocar experiências, de compartilhar esperança, alegrias e tristezas.
Esperamos receber depoimentos e ensinamentos daqueles que venceram a luta contra as drogas lícitas (álcool, tabaco, xaropes, barbitúricos, etc) e as ilícitas: cocaína, maconha, heroína, exctasy, etc.)
Sabemos que a luta é diária.
Cada dia é uma nova etapa e uma nova superação.
Maria de Lourdes Micaldas



23 de Novembro de 2011
O MISTÉRIO DO 69

Numa Assembléia como a paulista, que não mede despesas para construir mais um prédio, que compra os móveis antes que o prédio esteja pronto e não tem como guardá-los (eles que se estraguem, uai! Depois é só comprar outros, que dinheiro público não falta), o segredo que envolve o carro de chapa 69 não deve ser incomum. O azar é que este carro foi visto e a história dele foi contada.

Uma boa história: em 6 de novembro, o 69 fez as maiores barbaridades na estrada, em alta velocidade (o leitor que testemunhou o caso estava a 120 km/h, velocidade máxima permitida, e foi facilmente ultrapassado). O barbeiro ao volante costurou no trânsito, pôs gente em risco, passou por onde não devia, e sumiu.

De quem é o carro? A pergunta foi feita ao [email protected], que confirmou o recebimento; e não teve resposta. A pergunta foi feita por esta coluna e também não teve resposta. "Alô, deputado Barros Munhoz, presidente da Assembléia: quem é o maluco do volante?", indagava a coluna. Em resposta, só se ouviu o som estridente do silêncio. Quem é a Excelência que usa este carro?

Mas, como dizia Chico Buarque, a festa continua. Nesta segunda, 21, o mesmo carro 69 entrava num flat da alameda Campinas, por volta das cinco da tarde. A serviço dificilmente estaria: segunda é um dia em que Suas Excelências se poupam à maldição bíblica de ganhar o pão com o suor de seu rosto. Mas talvez o nobre parlamentar (quem será?) estivesse a serviço. Então, por que não se identifica? E a Assembléia, por que faz segredo e não conta quem é a Excelência?

Muito mais iguais

Todos são iguais perante a lei, diz o artigo 5º da Constituição. Mas, em certas áreas, tem gente bem mais igual. Se o caro leitor enfrentar um processo que não esteja em segredo de Justiça, terá seu nome amplamente divulgado. Mas, se o processado for um juiz, nem suas iniciais aparecerão, alegando-se a defesa "da dignidade da magistratura". Quem não for juiz como fará para defender a dignidade de sua profissão?

Pois é: todos desfrutam da igualdade perante a lei, mas há uma parcela pequena da população para quem a igualdade é muito melhor.

Minha Excelência

Notável: o governador gaúcho Tarso Genro, do PT, acaba de conceder a ele mesmo a Medalha da Cruz de Ferro da Brigada Militar. Sim: para ficar bem claro, o governador se autoconcedeu a si mesmo, por decreto que assinou de próprio punho, uma medalha em sua própria homenagem (como diriam as vovós, e o governador talvez não conheça o ditado, "elogio em boca própria é insulto").

O decreto chama o homenageado pelo nome completo, Tarso Fernando Herz Genro, e é assinado com o nome eleitoral, Tarso Genro. Motivo da homenagem dada por Sua Excelência a Sua Excelência: destaque no apoio à corporação.

Cuidado com a Chevron

Não adianta multar a Chevron, cujo poço submarino vaza milhares de barris de petróleo no mar do Rio: o faturamento da multinacional petroleira faz com que qualquer multa, seja qual for o valor, se torne insignificante (e é por isso que a empresa se deu ao luxo de usar uma sonda antiga, já desativada, para perfurar no Brasil). A Chevron, originalmente, era parte da Standard Oil, que a Justiça americana mandou dividir em várias empresas para combater suas atividades monopolísticas. Com a separação, virou Socal, Standard Oil of California, e mais tarde mudou o nome para Chevron. É responsável pela contaminação, por metal pesado, de boa parte da Amazônia equatoriana (a estimativa é de despejo, sem tratamento, de uns cem milhões de litros de resíduos tóxicos).

Se a empresa for culpada, é preciso estudar, além da multa, a cassação das concessões.

E nosso Governo, cadê?

Alô, Petrobras! Quem é que tem de fiscalizar as empresas estrangeiras que perfuram no mar brasileiro, para evitar que descuidem da segurança?

Onde está o dinheiro

Pois é: o dinheiro que estava aqui talvez já esteja em outro lugar. Diante da crise européia, a ordem das matrizes dos bancos às filiais brasileiras é lucrar o máximo e engrossar a remessa de lucros, para melhorar a situação por lá. O analista e jornalista Alexandre Machado apurou que as ordens são "caprichar nos balanços". Os bancos europeus vão precisar: os títulos das dívidas de países em crises estão em seu patrimônio pelo valor de face, quando já se sabe que o pagamento terá generosos descontos (no caso da Grécia, fala-se em 50%).

Os bilhões do ministro

O ministro do Desenvolvimento, Aloízio Mercadante, anunciou, durante sua visita à China, um espetacular investimento no Brasil: a Foxconn, empresa de Taiwan que produz telas sensíveis para IPad na China, investiria US$ 12 bilhões para fabricar IPads por aqui, e ainda criaria cem mil empregos. Nos cem mil empregos ninguém nunca acreditou; e quem acreditou nos US$ 12 bilhões deve estar meio chateado. A Foxconn informou que está disposta a vender tecnologia e ser sócia majoritária, mas sem investir. Os bilhões de dólares ficam por conta de empresários brasileiros e, claro, do velho e bom BNDES.

Já a história de que a produção começa no fim do ano deve ser verdadeira: basta definir qual é o ano.


Autor: Carlos Brickmann


Enviado por: Spartaco Massa
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